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ARTE E CONSCIÊNCIA #3

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Realidade e Verdade Todo o conhecimento da realidade parte do nosso entendimento do que essa realidade é ou representa. Este conhecimento tem basicamente duas "verdades": aquela que nos é transmitida como verdade e na qual acreditamos, e aquela que se torna a nossa verdade. A verdade que é apreendida por nós e que nos coloca em confronto com a realidade que nos é transmitida. Então a nossa realidade resulta basicamente do confronto entre uma realidade que nos é transmitida (e na qual acreditamos como sendo a realidade) e aquela que vamos apreendendo quotidianamente, dia a dia. São dois tipos de conhecimento em constante confronto e que constituem a nossa realidade. A realidade de cada um corresponde à sua própria verdade? O que é a realidade de cada um? O que é a minha realidade? Será a realidade a minha vida? Estando a nossa vida condicionada por inúmeros fatores, não será esta uma ilusão? E assim sendo, a realidade uma mera ilusão? E sendo a realidade a verdade, não será...

ARTE E CONSCIÊNCIA #02

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  Para o artista não basta a perceção. A visão. Ter consciência dessa perceção. A Consciência dessa visão particular do mundo, visão que a todos é comum, mas que poucos conseguem identificá-la, de tal forma se encontram mergulhados nos assuntos existenciais da vida. A maneira como vemos e sentimos o mundo está diretamente relacionada com as condições em que vivemos. A perceção interior só acontece, só existe quando alguma estabilidade, alguma segurança exterior nos impele à descoberta interior.   Conscientemente. Por vezes esta abertura interior advém de condições extremas de insegurança, sendo essas condições despoletadoras de uma evolução da consciência. Por vezes, se não mesmo na maior parte das vezes, essa abertura é instintiva, faz parte do ato de sobrevivência, apelando a áreas mais profundas do nosso ser. São essas forças, que impercetivelmente, nos impelem a atuar, que despoletam a Arte dentro do artista, essa perceção invulgar de perceber o mundo de uma forma mu...

ARTE E CONSCIÊNCIA #01

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"Estrutura Alquimista", Rompeschiena, 2013     Qual o papel da arte no desenvolvimento da consciência? Esta é a premissa para uma reflexão que irei desenvolver nos próximos tempos. O trabalho artístico que venho desenvolvendo desde 2017 tem vindo a tomar esta direção. Muita da minha reflexão anterior (que acompanha e está na base do trabalho desenvolvido) partiu sempre da minha experiência e da sua relação com os textos que li no momento (especialmente sobre alquimia e a filosofia dos mistérios antigos). Chegou agora o momento de abrir a porta a esses ensinamentos e partilhar a experiência recolhida. Este é o propósito destes escritos. Este é o propósito da minha arte. Desde sempre (especialmente a partir dos meus 18 anos) a arte teve um papel central para perceber o mundo. Usei a arte no passado para tentar entender o mundo; mas ao refletir sobre ele, estava refletindo sobre mim próprio. E este é o verdadeiro papel da arte: aproximarmo-nos de nós próprios. Ao refleti...

TERCEIRA INICIAÇÃO

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A técnica artística permite ao indivíduo tomar consciência do seu corpo enquanto objeto de desejo e de poder, modelo e agente, observador e observado, espelho e parede, expressão e comunicação. O corpo é a forma como interagimos com o mundo, como nos relacionamos com ele, como o observamos e sentimos. A arte e a sua técnica, são o intermediário (consciente) desta relação. A prática artística permite ao indivíduo, o artista, descobrir o seu EU, as suas capacidades físicas, motoras e percetivas, potenciar o desenvolvimento da sua imagem, confrontar-se com ela, com o espelho, e interagir com essa imagem, com essa perceção. A sua perceção passa para o objeto, para o suporte, é projetada na obra, tornando-se esta espelho de si mesma. O observador torna-se observado, o agente modelo, a parede, a tela em espelho. A comunicação expressão. É uma aprendizagem longa, que dura quase uma vida inteira, onde várias tecnologias são estudadas e experimentadas, para, finalmente, o iniciado optar po...

AUTOCONHECIMENTO: O CORPO

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"Self Portrait as Mr Du", fotografia, 2017  O auto conhecimento. O auto conhecimento é feito em três níveis (segundo Gurdjuiff ). O do corpo (ao nível físico e motor), o do sentimento / sensação e o cognitivo. Observar o corpo. Aprender a apreciar as suas formas e estudar os seus movimentos. Primeiro de uma forma isolada. Depois em relação com os outros dois níveis ou centros. É muito difícil, senão impossível, separar a ação destes três centros entre si. Temos de perceber e encarar a sua ação de uma forma intercalada, misturada, ora dominando uma ora dominando outra. Este primeiro estudo tomará como referencia o centro corpo / motor e este será analisado do ponto de vista dos outros centros. Ou seja, de que forma o sentimento / sensações motivam e controlam os movimentos do corpo. De que forma o raciocínio, o pensamento, a mente, condiciona esses movimentos. A primeira observação, o primeiro estudo, é o do olhar sobre o nosso próprio corpo. Sobre o corpo e a s...

SEGUNDA INICIAÇÃO

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O segredo reside nos mistérios da mente. Na mente do homem que dorme. Apesar de adormecido, uma parte de nós está vigilante. Não damos conta dela. Mas, mesmo oculta pela poeira, ela está lá. Sempre atenta. Á espera. Vigilante. Ela sempre esteve lá. Oculta pelas sombras e pela poeira. Uma pequena luz que passa inadvertida aos mais distraídos. Mas uma vez descoberta, ela iluminará tudo com uma nova realidade, um novo despertar, um amanhecer cálido e pacificador. Mas o homem adormecido nunca a poderá ver, e muito menos encontrar. Para a ver, terá primeiro de despertar. Mas o homem sonha o sonho que está a sonhar. Do qual parece impossível despertar. Então, uma luz aparece no sonho. Uma luz invade o sonho. A escuridão. Esta luz é tão forte que atravessa a cortina do sonho e instala-se na sala. Ali, bem na nossa frente. Onde afinal, sempre esteve.   Alnirus "Segunda Iniciação", Alnirus, 2020

A CASA DE POEIRA

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Havia este homem que vivia numa casa às escuras. Na casa a penumbra era total, apesar das cortinas nas janelas que filtram a luz que vem do exterior. O interior está iluminado pela luz de uma televisão. Esta provoca sombras nas cortinas e, em conjunto com a luz, que persiste entrar do exterior, configura uma imagem irreal de uma árvore abanando ao vento. Esta imagem, esta luz, é tudo o que o homem conhece. É a sua realidade. Dentro da casa existe um espelho oculto nas sombras. Todos os dias o homem passa por ele, olha para ele, no entanto, não repara verdadeiramente nele. A escuridão oculta a imagem poeirenta do espelho. A escuridão oculta toda a poeira existente na casa. Em toda a casa. Sobre as mobílias. No chão. Nos tapetes. O próprio casaco do homem está coberto de uma enorme camada de poeira. O chapéu também. O cabelo também. Tudo parece estar coberto de uma imensa camada de poeira branca. Como um pano branco que envolve todo o seu rosto e cabeça, atrofiando / ocultando os o...